Hoje em Conselho de Ministros, Miguel Relvas verá aprovada mais um diploma da reforma que tutela.
Lei das competências dita fim de 673 cargos de apoio político e poupança 12,5 milhões de euros anuais.
No próximo mandato autárquico serão extintos 673 cargos, o equivalente a 34% dos pessoal de apoio político actualmente empregado nas autarquias. C om esta medida, prevê-se uma poupança anual de 12,5 milhões de euros em ordenados. Segundo a projecto da nova Lei das Competências que hoje será aprovado em Conselho de Ministros, o objectivo é fomentar a cooperação entre municípios, aumentar a competitividade e desenvolvimento local, gerando uma poupança indirecta de vários milhões. Um estudo encomendado pela Câmara do Porto à Faculdade de Economia local e utilizado pelo Governo na elaboração da lei garante que, no caso da cidade, é possível poupar 10% do valor actualmente investido em serviços caso a colaboração entre municípios seja reforçada. Uma percentagem que o Executivo espera alargar a todo o território nacional.
A extinção de freguesias estará concluída até ao final do ano, até Fevereiro as autarquias têm de decidir quais as empresas do sector empresarial local a extinguie e há muito que sabem que terão de reduzir o pessoal. A somar a tudo isso, foi colocado em prática o Programa de Apoio à Economia Local - linha de crédito no valor de mil milhões de euros - que exigirá aos municípios a adopção de medidas de saneamento financeiro - entre elas, a colocação no máximo de todas as taxas municipais. Hoje, em Conselho de Ministros, será aprovado o penúlitmo diploma da reforma do poder local.
A nova lei quadro para as competências de autarquias e entidades intermunicipais terá implicações na organização do território, mas também na distribuição de funções ao nível do poder local a partir da próxima legislatura autárquica. Primeiro, passará a ser preciso agregar cinco municípios e pelo menos 90 mil habitantes para ter estatuto de comunidade intermuncipal - novidade que garante a reformulação de três das 25 comunidades já existentes - mas também serão criados dois novos órgãos de governação: o primeiro é o Conselho Metroplitano, a ser constituído pelos presidentes de câmara e de onde sairão os eleitos para o segundo, a Comissão Executiva da região. Mas a maior reforma será ao nível das competências. O Estado poderá passar a contratualizar responsabilidades tanto a autarquias como às entidades intermunicipais, que deverão assegurar a melhor gestão dos recursos públicos disponíveis na região. No sentido inverso, também os municípios passarão a delegar nos novos órgãos de gestão intermunicipal o planeamento económico e social da região, sendo de esperar incentivos financeiros para as que conseguirem melhorias nos respectivos índices.[CORTE_EDIMPRESSA]
Embora o destino esteja já traçado para a cerca de um terço das 4260 freguesias existentes - o Executivo aponta para a extinção de 1150 - estes órgãos, também ficarão, ainda assim, com as suas competências reforçadas. A conservação e limpeza de espaços e infraestruturas públicos, o apoio a actividades sociais ou culturais da freguesia, a reparação da sinalização nas vias municipais e o licenciamento de actividades temporárias na zona passarão a ser da responsabilidade da sua responsabilidade.
Nova lei de finanças locais só em 2013
Colocada de parte a hipótese de apresentar uma nova lei eleitoral autárquica por falta de consenso entre os partidos da maioria parlamentar, será a nova Lei das Finanças Locais a encerrar a reforma administrativa e do poder local. Em Julho de 2011, no congresso da Associação Nacional de Municípios, Passos Coelho confirmou a intenção de a refazer e inicialmente o prazo estipulado para a sua conclusão era o final deste ano. Entretanto, o alargamento do prazo já foi renegociado com a troika estando agora prevista a sua apresentação durante 2013. Embora ainda poucos pormenores sejam conhecidos, em Setembro no último congresso da ANMP, o vice-presidente Rui Solheiro já foi avisando que a lei que está a ser preparada "não serve", reclamando "uma nova lei que garanta a sustentabilidade financeira dos municípios".
Pontos chave da lei das competências
1 - Intermunicipais com 90 mil habitantes
Com a nova lei das competências, as entidades intermunicipais passarão a ter de ter um mínimo de 90 mil habitantes e agregar pelo menos 5 municípios. Das actuais 25 existentes apenas três não têm o minímo de população - segundo dados do Censos de 2011, a Comunidade Intermunicipal (CI) da Beira Interior Sul, com 74 861 habitantes, a da Serra da Estrela, com 43 721, e a do Pinhal Interior Sul, com 33 341 - e terão de ser reformuladas. No extremo oposto são as duas áreas metropolitanas - Lisboa com 2 815 581 e Porto com 1 671 536 habitantes - as comunidades mais populosas. A região do Tâmega e Sousa, com 520 056, e a algarvia, com 450 484, são as CI mais populosas.
2 - Comunidades com mais poder político
Será criada a Comissão Executiva com elementos eleitos pelo colégio das assembleias municipais da região e terão três elementos no caso das comunidades intermunicipais e cinco no caso das áreas metropolitanas. No sentido inverso, deverão acabar as assembleias intermunicipais, passando a Conselho Metropolitanto, formado pelos presidentes de câmara e com funções executivas. Aqui caberá cumprir um dos pilares da reforma que o executivo - o do aumento da eficiência na gestão das competências a distribuir entre autarquias e outras entidades intermunicipais e a articulação entre os diferentes níveis da administração pública.
3 - Mais competências para freguesias
Das actuais 4260 freguesias, cerca de 1150 estão condenadas a desaparecer, mas as sobreviventes verão os seus poderes reforçados. Depois de negociações com ANMP e ANAFRE, o Executivo vai reforçar as competências das freguesias já a partir da próxima legislatura. Parques públicos, mercados e feiras locais, abrigos de passageiros, placas de sinalização, a manutenção de pavimentos e de sinalização assim como o apoio a iniciativas de natureza local, passarão a ser formalmente competências das juntas de freguesia. No próximo orçamento, as transferências de verbas serão reforçadas consoante as competências atribuídas pelos municípios.
4 - Redução do pessoal político
Com o não aumento da despesa pública como princípio básico da reforma, a redução de pessoal de apoio político às autarquias será outro ponto importante. No total serão extintos 673 cargos de apoio a presidentes de câmara e vereadores a tempo inteiro. No total, o Executivo estima que a poupança ronde os 12.5 milhões de euros anuais. A maior fatia será recuperada no pessoal de apoio aos presidentes de câmara que passará de 24.6 para 17.5 milhões enquanto a redução nos secretários de vereadores a tempo inteiro o total da redução não chega aos 5 milhões - o total passa de 16.6 para 11.7 milhões. Para a nova comissão executiva, serão entregues 3.3 milhões de euros por ano.
Filipe Garcia e Inês David Bastos
18/10/12 in economico
18/10/12 in economico





“É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário. É preciso tomar as ruas e as praças das cidades e os nossos campos. Juntar as vozes, as mãos. Este silêncio mata-nos. O ruído do sistema mediático dominante ecoa no silêncio, reproduz o silêncio, tece redes de mentiras que nos adormecem e aniquilam o desejo. É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. É preciso convocar de novo as vozes, os braços e as pernas de todas e todos os que sabem que nas ruas se decide o presente e o futuro. É preciso vencer o medo que habilmente foi disseminado e, de uma vez por todas, perceber que já quase nada temos a perder e que o dia chegará de já tudo termos perdido porque nos calámos e, sós, desistimos”, diz a descrição do evento.
E prossegue: “O saque (empréstimo, ajuda, resgate, nomes que lhe vão dando consoante a mentira que nos querem contar) chegou e com ele a aplicação de medidas políticas devastadoras que implicam o aumento exponencial do desemprego, da precariedade, da pobreza e das desigualdades sociais, a venda da maioria dos activos do Estado, os cortes compulsivos na Segurança Social, na educação, na saúde (que se pretende privatizar acabando com o SNS), na cultura e em todos os serviços públicos que servem as populações, para que todo o dinheiro seja canalizado para pagar e enriquecer quem especula sobre as dívidas soberanas. Depois de mais um ano de austeridade sob intervenção externa, as nossas perspectivas, as perspectivas da maioria das pessoas que vivem em Portugal, são cada vez piores”.
“A austeridade que nos impõem e que nos destrói a dignidade e a vida não funciona e destrói a democracia. Quem se resigna a governar sob o memorando da troika entrega os instrumentos fundamentais para a gestão do país nas mãos dos especuladores e dos tecnocratas, aplicando um modelo económico que se baseia na lei da selva, do mais forte, desprezando os nossos interesses enquanto sociedade, as nossas condições de vida, a nossa dignidade. Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Portugal, países reféns da troika e da especulação financeira, perdem a soberania e empobrecem, assim como todos os países a quem se impõe este regime de austeridade”, sublinha este apelo à união “contra a inevitabilidade desta morte imposta e anunciada”, repetindo que “é preciso fazer qualquer coisa de extraordinário”.
“É necessário construir alternativas, passo a passo, que partam da mobilização das populações destes países e que cidadãs e cidadãos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses, portugueses e todas as pessoas se juntem, concertando acções, lutando pelas suas vidas e unindo as suas vozes. Se nos querem vergar e forçar a aceitar o desemprego, a precariedade e a desigualdade como modo de vida, responderemos com a força da democracia, da liberdade, da mobilização e da luta. Queremos tomar nas nossas mãos as decisões do presente para construir um futuro”.
“Este é um apelo de um grupo de cidadãos e cidadãs de várias áreas de intervenção e quadrantes políticos. Dirigimo-nos a todas as pessoas, colectivos, movimentos, associações, organizações não-governamentais, sindicatos, organizações políticas e partidárias que concordem com as bases deste apelo para que se juntem na rua no dia 15 de Setembro. Dividiram-nos para nos oprimir. Juntemo-nos para nos libertarmos!”, conclui o manifesto, assinado por Ana Carla Gonçalves, Ana Nicolau, António Costa Santos, António Pinho Vargas, Blandina Vaz, Bruno Neto, Chullage, Diana Póvoas, Fabíola Cardoso, Frederico Aleixo, Helena Pato, Joana Manuel, João Camargo, Luís Bernardo, Magda Alves, Magdala Gusmão, Marco Marques, Margarida Vale Gato, Mariana Avelãs, Myriam Zaluar, Nuno Ramos de Almeida, Paula Marques, Paulo Raposo, Ricardo Morte, Rita Veloso, Rui Franco, Sandra Monteiro, São José Lapa, Tiago Rodrigues.
O grupo, que criou também o apelo no blog http://www.queselixeatroika15setembro.blogspot.pt/, adverte ainda que a manifestação de 15 de Setembro é pacífica. “As armas que levamos são as nossas vozes e a nossa presença. Não serão, pois, bem vindos ao protesto ou à página quaisquer apelos à violência. Na impossibilidade de darmos a esta página atenção permanente dada a concentração de esforços em sermos muitos milhares no próximo Sábado, demarcamo-nos de comentários notoriamente racistas, xenófobos ou fascistas assim como de perfis com o propósito de insultar os participantes”.