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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

VAMOS BRINCAR À CARIDADEZINHA, FESTA, CANASTA E BOA COMIDINHA


O Banco Alimentar distribui alimentos fora de prazo mas que estão em condições de serem consumidos, afirma Isabel Jonet, presidente da instituição.
"Todos os alimentos que saem do Banco Alimentar são objecto de controlo de salubridade por parte da Alicontrol, empresa certificada, e estão em condições de serem consumidos, apesar de alguns já terem ultrapassado o prazo de validade", disse ao CM a responsável, acrescentando: "Agora, por exemplo, estamos a distribuir arroz que está fora do prazo. Entregamos às instituições que recebem os alimentos certificados de salubridade".

A primeira citação e´, como saberão pelo menos os mais velhos, de uma canção de José Barata Moura e a segunda de uma notícia que li no Correio da Manhã.
Vem isto a propósito do que vejo ser usual no nosso concelho. A ajuda que se preconiza é DAR algo. Como se isso chegasse. Como se a esmola não fosse uma forma de aliviar a nossa pesada consciência. Como se dar esmola não seja transformar um pobre ... num pedinte. Não, não damos a cana para que o faminto pesque e, muito menos, o ensinamos a pescar. Nós, damos o peixe para que, quando ele acabar, nos voltem a pedir e assim nos sintamos importantes e influentes. 
E aqui, o problema não é só dos políticos. É também das organizações religiosas, nas instituições de solidariedade social, etc. É um problema que nos toca a todos. Quantos de nós não conhecemos famílias que vivem de e para as "esmolas"? Quantas delas realmente têm de facto, necessidades? Quantas delas, depois da primeira ajuda, levantaram a cabeça e iniciaram uma nova vida?
E isto não deveria ser suficiente para invertermos o nosso procedimento? Quando vamos perceber que o nosso papel na sociedade tem de ser outro? Quando vamos perceber que a nossa consciência não pode ficar aliviada com este constante "brincar à caridadezinha"?
Quando perceberemos que, por determos o poder político e institucional para ajudarmos uns e não todos os que precisam e não o fazemos criteriosamente, em vez de ajudarmos os primeiros (que eventualmente não necessita de ajuda) estamos, isso sim, a prejudicar os segundos...

12/8/11 0