domingo, 5 de junho de 2011

Eleições 2011 Resultados Portugal


Votação

PARTIDO% VOTOSNº VOTOS
PSD
38,6%2.145.452
PS
28,1%1.557.864
CDS-PP
11,7%652.194
CDU
7,9%440.850
BE
5,2%288.076
PCTP/MRPP1,1%62.491
PAN1,0%57.634
MPT0,4%22.494
MEP0,4%21.748
PNR0,3%17.620
PTP0,3%16.722
PPM0,3%14.978
PND0,2%11.671
PPV0,2%8.210
POUS0,1%4.601
PDA0,1%4.531
PH0,1%3.528

Deputados eleitos

BE8PSD105POR ELEGER4CDU16PS73CDS-PP24
  • in Público, 5/06/11

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mouseland, Muito bom!

Não me trates por doutor

Um amigo, que trabalhava num escritório de advogados, contou que, nas partidas de futebol da empresa, todos se tratavam por sôtor. Qualquer coisa como: "É minha, sôtor. É falta, sôtor." Mais absurdo que usar um título durante uma peladinha era os advogados mais novos terem de ficar no escritório até tarde, mesmo tendo acabado o trabalho, porque os chefes chegavam tarde do almoço e prolongavam a jornada. Horas sem fazer nada, apenas por medo ao sôtor. Em Portugal há um formalismo armado aos cágados que, mais que respeito, revela a nossa apetência por escolher o acessório em vez do fundamental, que importa mais parecer do que ser, que um título vale tanto no processo de exibição como o carro de luxo. Durante anos democratizou-se o ensino superior - algo a celebrar, especialmente após décadas de ignorância, rigidez social e esmagamento da iniciativa individual. É mais que legítimo que o filho de um pedreiro aspire a ser advogado. Mas escolhemos mal as prioridades. E as licenciaturas (tantas vezes de péssima qualidade), em vez de serem uma ferramenta de desenvolvimento, são um fim: ter um diploma, cheques com o título "doutor" e a certeza de contar com um emprego no cu da galinha. Vale mais um advogado que um canalizador? Somos um país onde parecer é mais importante que fazer, onde os advogados ficam até tarde no escritório - mais por deferência medieval do que para aumentar a produtividade. O hábito do sôtor é a prova de que este país, mesmo à beira da ruína, prefere naufragar de fato e gravata a salvar-se de fato-macaco. 
Hugo Gonçalves
in i 2/06/11

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"A CHANFANA VEM TIRAR ESTES CONCELHOS DO ANONIMATO"

Com a eleição das "7 Maravilhas da Gastronomia" marcada para Setembro, a Chanfana já está na boca do mundo. sendo uma das três finalistas na categoria das carnes. Para os quatro municípios que apresentaram a candidatura, o orgulho de ter chegado até aqui já corre além fronteiras. Hoje a conversa foi com Maria de Lurdes Castanheira presidente da Câmara Municipal de Góis. 

Pedro Homem de Mello não nasceu em Góis, mas como todos os poetas exímios, teve o dom de descrever os rios como pouca gente o faz. E aqui fala-se em rios porque Góis, essa localidade indelével espraia-se ao longo do rio Ceira, assumindo dos cenários mais bonitos que acaba por atrair muitas pessoas à região, nomeadamente em época estival.
À conversa com a presidente da câmara, foi possível compreender a aposta que a autarquia tem feito no concelho, tornando-o num dos lugares mais convidativos a visitar daquela região. Na voz da nossa interlocutora, "Góis é um território com boa qualidade de vida, embora esteja longe da capital de distrito, o que tem a ver com algum fraco investimento dos sucessivos governos em matéria de acessi- bilidades" O que é certo é que o município tem feito uma forte aposta ao nível do turismo, não só através do seu orçamento, mas também naquilo que é o estímulo à iniciativa privada. Temos consciência de que estamos num concelho que tem potencialidades incomparáveis a outras realidades do país e até mesmo fora do mesmo. Temos aqui paisagens ofegantes e associado às mesmas, o rio Ceira, que é um dos nossos ex-líbris e que nos distingue: No fundo, o rio é uma marca que faz com que Góis seja considerado como a capital do Ceira.
Ao estimular quer o investimento público, quer o privado, Maria de Lurdes Castanheira garante que o objectivo é criar condições para atrair novos públicos, nomeadamente durante todo o ano. "Neste momento, um dos maiores constrangimentos que temos é o da sazonalidade e estamos a trabalhar no sentido de inverter essa tendência porque entre Setembro e Março vivemos aqui uma tendência onde se regista um decréscimo abismal no que refere não só ao número de visitantes, como também no que refere à facturação das próprias empresas. Aqui a Câmara tem um papel fundamental no sentido de restabelecer a confiança no mercado porque as pessoas só investem se confiarem nos 12 meses do ano e cumpre-nos a nós dar um sinal de preocupação e capacitar este território de que tem potencialidades exponenciais e caracteristicas ímpares" garante a nossa entrevistada, assegurando ainda que "precisamos, sem dúvida, de um equipamento hoteleiro e felizmente temos um investidor que está interessado em fazer uma infra-estrutura É um hotel quatro estrelas superior que irá ser, brevemente, uma realidade, e isso vai-nos resolver uma das graves lacunas que tínhamos aqui no concelho. Se tivermos uma boa resposta ao nível de hotelaria, temos uma maior abertura para as outras iniciativas que já vamos tendo no concelho como por exemplo o desporto aventura.
Mas os projectos não se ficam por aqui: "temos também um projecto de revitalização dos percursos do xisto e desse tipo de tradições. Vamos também concluir um centro de interpretação das aldeias do xisto que fica localizado numa das aldeias que faz parte da rede do xisto. Estamos a investir e a fazer um trabalho que complemente aquilo que é investimento público com o investimento privado. Para quê? Para que, primeiramente, consigamos combater o carácter da sazonalidade e, segundo, tenhamos aqui oferta em termos de alojamento turístico para todos os públicos. Porque os públicos são muito diversificados'; garante. 


A GASTRONOMIA 

Sendo um concelho rico no que refere à gastronomia Maria de Lurdes Rodrigues ressalva que este sector ainda está pouco explorado. Com condições excelentes para a criação de truta, também as sobremesas, o cabrito ou a cabra velha são produtos e iguarias que dão origem ao de melhor neste sector. "Estamos num território de montanha, com características rurais com todas as condições para a pastorícia e aí destacamos a caprinicultura, onde surgem as cabras e os cabritos para fins gastronómi- cos. A única coisa que nos falta é a mação de uma confraria Se conseguíssemos criar aqui
a confraria do cabrito, conseguíamos ímplementar uma nova marca no concelho. E criar aqui alguma marca é também transmitir aos operadores da restauração o quanto é importante apostar na gastronomia local, apostar na qualidade".

SOBRE AS 7 MARAVILHAS DA GASTRONOMIA 

Segundo a autarca, "esta iniciativa das 7 Maravilhas vai dar uma grande projecção a esta zona o que já começou a acontecer. Com o uso das redes sociais e das novas tecnologias, toda esta informação chega muito longe e é isso que nos imporia e nos dá reconhecimento. Queremos ser associados a um território com um prato único e com o qual nos identificamos. No fundo, a chanfana vem tirar estes concelhos do anonimato.
Portugal tem uma boa gastronomia e a dificuldade é escolher, mas a aposta na chanfana é uma boa aposta e digo isto com convicção e confiança porque a chanfana é feita com produtos naturais. Dificilmente se faz uma boa chanfana com produtos artificiais que não seja um bom vinho, uns bons alhos, bom tempero. A qualidade do prato tem muito a ver com a qualidade da carne. Vale a pena apostar na chanfana como uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal

terça-feira, 31 de maio de 2011

Quem ganha com a abstenção - IMPORTANTE

Sabia que nas legislativas de 2009, mais de metade dos eleitores não votaram nos partidos que nos governam há mais de 30 anos? A abstenção, o voto nulo e o voto branco reforçam os partidos dominantes e ajudam a que fique tudo na mesma. No dia 5, se não quer que os outros decidam por si, VOTE! Partilhe esta informação!


sábado, 28 de maio de 2011

Ana Jorge considerada “persona non grata”


Declarações ao Diário de Coimbra, em que a cabeça-de-lista do PS pelo distrito recupera a possibilidade de autocarros em vez do metro, desencadearam “onda” de protesto
Menos de 15 dias depois de “soltar aos quatro ventos” a «vontade firme» do PS em concretizar o projecto Metro Mondego, Ana Jorge deixou perceber, em entrevista ao Diário de Coimbra publicada ontem, que a implementação de autocarros, sistema de transporte «menos oneroso», pode ser o caminho a seguir para a Linha da Lousã.
Nunca a memória de um candidato terá sido tão curta e tão inábil, na opinião dos defensores da reposição da ferrovia no ramal da Lousã. Ora na nas redes sociais da internet, ora fazendo chegar ao Diário de Coimbra notas de repúdio e de estupefacção, os defensores da reposição da ferrovia no ramal da Lousã pediram a “cabeça” da cabeça-de-lista socialista pelo Círculo de Coimbra. Ou, por outras palavras, que seja o próprio PS a retirar a actual ministra da lista de candidatos pelo distrito.


Ana Jorge não terá “só” esquecido o que disse a 6 de Maio, aquando da apresentação dos candidatos socialistas. Ignorou o valor e importância de uma petição promovida pelo Diário de Coimbra com a indignação de mais de 10 mil pessoas, passou ao lado do movimento que se criou entre os utentes de Coimbra, Miranda e Lousã e, não menos grave, esqueceu a democracia, ao desvendar que o futuro socialista não passa por cumprir uma deliberação da Assembleia da República, tomada há apenas quatro meses. Foram, então, os parlamentares do país, de todos os partidos políticos, a decidir que o projecto Metro Mondego será sobre carris, em ferrovia.
«A culpa é de quem a convidou», lia-se ontem no Facebook, onde os cibernautas foram pródigos neste tipo de comentários. Imposta ou convidada, Ana Jorge vai representar o distrito no Parlamento mas, assegurou Mário Ruivo, o futuro Governo socialista estará lá para cumprir a promessa e garantir a ferrovia. Aliás, garantiu o líder da federação de Coimbra do PS, a defesa da ferrovia é uma posição «inequívoca e intransigente» de todas as estruturas socialistas no distrito.

“Caiu a máscara ao PS”
«Não vale a pena estarem a desviar as atenções do que é essencial», avisou Mário Ruivo, depois de defender Ana Jorge: «pelo que consegui saber, estava a lembrar as diferentes hipóteses que estiveram em cima da mesa», no caso Metro.
A solidariedade política de Mário Ruivo colide, no entanto, com a perspectiva e tempo verbal utilizado pela candidata, dando a entender um horizonte futuro, mas possivelmente próximo: «esse pode ser o caminho a seguir, mas é preciso ver a compatibilização desse tipo de autocarros com os túneis», disse Ana Jorge na entrevista.
Pois é, «caiu a máscara ao PS», observa Marcelo Nuno, ao lamentar que os socialistas andem a «fazer de conta que estão a cortar nas despesas», referindo-se à comissão antigorduras, criada para separar o essencial do acessório e, assim, reduzir custos no projecto de Mobilidade do Mondego. O PS entrou no pagode, critica o líder distrital do PSD, lamentando que só falte um pequeno pormenor - o da compatibilização com os túneis - para se optar pelos autocarros.
«É tempo de mudar de vida e acabar de vez com a mentira e a irresponsabilidade de quem não só não sabe governar como não tem o mínimo respeito pelo povo e lhe mente descaradamente», escreve Marcelo no Facebook.

“Gente sem vergonha”
E se as palavras do líder social-democrata parecem duras, quase se tornam simpáticas se comparadas com as do porta-voz do Movimento Cívico de Coimbra, Lousã e Miranda. Jaime Ramos reclama o direito à «crítica frontal» para apontar a «loucura da Senhora Ana Jorge, o seu espírito antidemocrático e de desprezo pelo distrito e por Coimbra». Invocando a decisão da Assembleia da República, em «que todos os partidos foram unânimes na sua exigência» de reposição de ferrovia, Jaime Ramos classifica a cabeça-de-lista socialista «de persona non grata» e remete para o PS a obrigação de retirar a sua candidatura.
«Se o Partido Socialista a mantiver como candidata mostra que as verdadeiras intenções foram só destruir o ramal da Lousã, garantir alguns milhões a empreiteiros e vender carris a “sucateiros”», resume, ao lançar um desafio aos deputados socialistas que votaram pela ferrovia: «têm de dizer se toleram estas afirmações da Senhora Ana Jorge e se convivem com uma política de gente sem vergonha».
Num discurso igualmente contundente, Fátima Ramos, presidente da Câmara de Miranda do Corvo, vê nas declarações de Ana Jorge «um atentado, um caso de polícia». «Queremos na linha um sistema ferroviário de transporte», sentencia a autarca social-democrata, antes de lembrar que «as pessoas merecem respeito» e que «nenhum Governo tem o direito de destruir, gastar dinheiro de todos nós e a seguir colocar um sistema de transporte pior do que o que existia».


É preciso bom senso, aconselha Fátima Ramos, lembrando que há cada vez mais famílias a viver com dificuldades, o que leva a uma maior necessidade de transportes públicos. O Diário de Coimbra não conseguiu ouvir, apesar das tentativas, João Paulo Barbosa de Melo e Fernando Carvalho, presidentes, respectivamente, das Câmaras Municipais de Coimbra e da Lousã. 
in Diário de Coimbra 28/05/11

PS faz desaparecer imigrantes da campanha depois do escândalo (ilustração livre)

As dezenas de imigrantes paquistaneses e indianos que têm agitado bandeiras, dado apertos de mão ao secretário-geral do Partido Socialista nos últimos dias e enchido salas de comício não compareceram ontem na campanha do PS em Campo Maior. A direcção de campanha garantiu ao i que se trata de uma "estrutura voluntária que não é controlada" e que poderá não voltar a aparecer. O desaparecimento destes apoiantes -comerciantes do Martim Moniz, em Lisboa, e trabalhadores da construção civil que estiveram com José Sócrates em Beja, Coimbra e no comício de Évora de sábado - acontece depois de os órgãos de comunicação social, atraídos pelos turbantes, terem começado a fazer perguntas.


"Sócrates é muito boa pessoa, tratou de dar nacionalidade, tratou de tudo", disse ao i um dos indianos presentes no comício de Sábado em Évora, onde foram poucos os alentejanos a encher a sala e visível a população de turbantes. A campanha garante que os imigrantes "se ofereceram em Lisboa como voluntários para acompanhar a comitiva socialista". Ainda assim, há entre os viajantes casos de fome e garantias de que a presença nos comícios é trocada pela certeza de uma refeição quente.



Ontem, o tema foi abordado indirectamente pelo candidato centrista. "Não é preciso trazer gente de fora, nem em transporte colectivo organizado pelo partido. A gente está aqui porque quer e porque está a pensar seriamente votar CDS", afirmou Paulo Portas em Ponte Lima. Nas redes sociais, também houve ecos. Nogueira Leite, conselheiro económico do PSD, ironizou, dizendo que o alegado apoio dos imigrantes nos comícios socialistas em troca de refeições era um exemplo do Estado social que Sócrates defendia. 



Publicitado o caso, desapareceram, primeiro, alguns turbantes - substituídos por chapéus de campanha do PS. Depois, sumiram-se os imigrantes, muitos que mal articulavam uma palavra em português e que não podiam votar nas eleições legislativas de 5 de Junho por não terem nacionalidade portuguesa. A duvida fica: se foram transportados de Lisboa para o Alentejo no autocarro socialista como é que regressaram a casa?



Encostar PSD à direita Nos últimos dias, José Sócrates tem tentado encostar o PSD à direita, numa tentativa de captar votos ao centro. Uma estratégia seguida desde o início da campanha oficial. O secretário-geral socialista agitou o fantasma do regresso aos tempos da ditadura, se o PSD vencer as eleições. "O que ele querem é que haja uma educação para pobres e outra para ricos como havia antes do 25 de Abril", disse o candidato em Elvas, depois de já ter dito em Ourém que o país "teve uma ditadura que nunca apostou na educação", reservada nesses tempos "às elites".



A intenção dos socialistas é a de distanciar o projecto de Passos Coelho da social-democracia e colá-lo o mais possível à direita. Nas muitas referências feitas ao PSD nos primeiros dois dias de campanha, Sócrates critica o projecto de revisão constitucional e as alterações que o programa de Passos preconiza para o Estado social. "O modelo social europeu não é só património dos socialistas, é também dos social-democratas e da doutrina social da igreja católica", afirmou Sócrates, num almoço, no sábado, em Ourém, acusando Passos Coelho de ter "um preconceito social".



O discurso do PS não foge muito do guião definido para esta campanha e passa essencialmente por ataques ao PSD e pela defesa do Estado social, principalmente em áreas como a educação a saúde e o trabalho. "Lutaremos contra o aventureirismo privatizador da direita nas funções sociais do Estado", disse Pedro Marques, cabeça-de-lista por Portalegre, em Elvas.



Os ataques a Passos Coelho não são só feitos pelo secretário-geral do PS e vários socialistas têm realçado o facto de o presidente do PSD não ter experiência de governo. "Não tem experiência, nem equipa", disse o ministro da Agricultura, António Serrano, num almoço em Ourém no Sábado. Umas horas depois em Évora foi Capoulas Santos a acusar Passos Coelho de ter enviado o seu "putativo ministro das Finanças para o exílio no Brasil". Em declarações ao i, o ex-director de campanha de Sócrates para a liderança do PS disse que Catroga "tem muito poucas condições" para integrar um governo de coligação, se o PS vencer as eleições e fizer uma aliança com os sociais-democratas, e classificou como "um susto" a "entourage" de Passos Coelho.



A presença de Sócrates nas arruadas é contida e o PS aposta sobretudo nos almoços e nos comícios ao fim do dia. Em Campo Maior - terra com uma forte influência do comendador Rui Nabeiro, dono da Delta Cafés - o PS conseguiu, até agora, a melhor arruada. Os imigrantes indianos e paquistaneses foram substituídos ontem na rua pelos trabalhadores das empresas do grande magnata do café - o principal empregador da região. O secretário-geral do PS não tem escapado a algumas críticas dos populares, que se insurgem contra a situação a que o país chegou e, como dizia um habitante de Évora, contra "os luxos gastos em campanha". Os socialistas já garantiram que vão gastar menos do que o habitual, mas não abdicaram - como os partidos de direita - dos outdoors, embora só tenham colocado um cartaz em cada distrito.
in i online, 23/05/11