Dia 15; meados de Setembro. O Verão está a acabar. As últimas trovoadas fizeram-nos a partida de turvar as águas das nossas praias e a sua total recuperação será problemática. Estamos em tempo de balanço.
Quem por cá andou e falou com os empresários que fazem o seu negócio no Verão para cobrir o prejuízo de Inverno, são peremptórios em afirmar que esteve por cá muita gente, mas num período mais curto. Cada vez mais o Verão é mais curto um Góis e quase se resume aos 15 dias entre o feriado municipal, o de 15 de Agosto que, normalmente, permite fazer uma agradável “ponte” e a Concentração Motard que continua a ser (embora este anos com uma quebra de participantes assinalável…) o evento que mais pessoas traz a Góis.
É igualmente notório e indiscutível que as pessoas cada vez gastam menos dinheiro. Trazem tudo de casa: o almoço, o lanche, o jantar, etc., etc. No nosso comércio seja na restauração, nos bares, na peixaria, no talho e nos supermercados, apenas adquirem o que não veio por esquecimento ou o que não é transportável (café, gelados, pão e pouco mais). Por cá fica todo o lixo do fim-de-semana ou das férias. Mas, por cá também deve ficar uma reflexão: Se este Turismo Sazonal já não é o que era, devemos pensar que ele não será, nunca, sustentável como pretendemos.
Vi na expressão de alguns comerciantes a angústia de não verem a contrapartida ao esforço feito para melhorarem a oferta. Claro que esta reflexão tem muito a ver com Góis e Vila Nova do Ceira que, estando distanciadas 5Km, apresentam propostas de qualidade idêntica. O Fora d´Horas, em Alvares, sendo um bom exemplo da dinâmica empresarial de uma pessoa cujo esforço deverá ser, sempre, reconhecido e aplaudido, não sofre da concorrência dos outros pela distância assinalável que os separa. Felizmente!
Também nas outras freguesias existem ofertas pontuais que não deverão ser desprezadas e merecem todo o apoio das entidades que superintendem no nosso Concelho. Mas, o problema está, exactamente na concorrência que cada um faz aos outros durante o Inverno e, parece que, também já no próprio Verão. Não vou falar dos restaurantes, deixando para outro dia, mas vou abordar os bares. Em Góis, o May Tay (vai ser, sempre o May tay…), a esplanada da Avó Tomázia, o Pombalinho, o Pego Escuro e o Ténis para só mencionar os mais emblemáticos e que têm uma oferta mais apelativa para a Juventude, pois fazem karaokes e/ou musica ou vivo. Em Vila Nova do Ceira, temos as Canaveias e a Candosa. Justifica-se? Temos clientela para todos estes locais? Temos residentes com capacidade financeira para que estes empresários (muitos, jovens Goienses…) tenham, no fim do dia, o retorno do seu investimento, consigam pagar os encargos e ainda tirar o seu vencimento como é devido? Eu, sinceramente, temo que não. E acho que as nossas entidades, principalmente a Câmara Municipal, devem começar a reflectir sobre isto e sempre que alguém pretenda abrir mais um estabelecimento nesta área, faça uma reflexão conjunta com os investidores no sentido de se aperceber se não estará, involuntariamente, a contribuir para o aniquilar do futuro de alguns jovens (vide Pego Escuro…).
Não deveremos passar a fazer a animação do Concelho fora da época alta? As inúmeras (e difíceis de justificar…) festas que todos os fins-de-semana no Verão são levadas a efeito estarão a ser, convenientemente, monitorizadas? Não estará a haver concorrência inter e entra Freguesias e Município, com festas a coincidir na mesma data? Não estaremos a promover festas para “show off”, ou seja para aparecer notícia nos jornais e parecer que, em Góis, a cultura é muito apoiada e diversificada? Os assistentes não serão sempre os mesmos e, mesmo esses “obrigados” a ir? Fica a reflexão.