A POLITICA ESPECTÁCULO…
Em conversa com um amigo e falando de Góis, dizia-me ele que por cá se privilegiava a “política espectáculo” em detrimento de politicas de desenvolvimento do Concelho.
Referia que quem lia os jornais nacionais e regionais ficava com a impressão que havia uma grande dinâmica em Góis mas que, quando cá se deslocava percebia que não passava de um logro: Góis parece estar à venda, com comércio a fechar, fábricas em crise, empresas em falência, famílias à beira do colapso, etc. A juventude desapareceu, emigrando para novas paragens, o concelho está cada vez mais velho e desertificado. Chamou-me a atenção de que, entre sensos, tínhamos perdido 12% da população, estamos em perigo de perder, pelo menos, uma freguesia e que os postos de trabalho medianamente remunerados estão na mão de pessoas que não vivem no concelho e que, por isso, Góis ao fim do dia e nos fins de semana parece um concelho fantasma. No entanto, para quem lê os jornais, nada disso se passava.
Esta conversa, obrigou-me a fazer uma pesquisa pela imprensa dos últimos dias, procurando notícias sobre Góis e descobri umas tantas: distribuição de cabazes a famílias necessitadas, confraria do cabrito, festa da truta, presidência aberta em Alvares, reunião com Associação de Juventude, enduro em Góis e, hoje mesmo, espaço museológica de excelência a ser inaugurado ainda este ano. Devo dizer que não tive dificuldade nenhuma em encontrar notícias pois elas, como diria “o outro” surgem “as paletes” e cheguei à conclusão que o meu amigo tem toda a razão.
As notícias têm todo o mesmo texto e são encabeçadas, normalmente, pelas mesmas fotografias, o que significa que são enviadas pelo pomposo “gabinete de imprensa” da Câmara Municipal. A falta de notícias, a ausência completa de valores jornalísticos e a necessidade de receber subsídios levam a que a nossa imprensa, infelizmente, publique tudo o que lhe enviam.
Senão, vejamos: Será correcto publicar fotografias de um idoso carenciado (ou falso-carenciado…) a receber um cabaz de Natal? Não se estará a pôr um “carimbo” na testa dessa pessoa ou família. Promove-se quem? O cabaz, o carenciado ou a sra Presidente que o atribuiu com o dinheiro de nós todos? Vamos formar uma confraria do cabrito para degustar os cabritos da Makro? Porquê e para quê? Desde quando o cabrito é um “ex-líbris” gastronómico de Góis? Cadê os cabritos que até as cabras fugiram para Poiares e Miranda. No entanto, lá estava a sua (dela…) fotografia no jornal. Receber a Associação de Juventude já dá direito a notícias nos jornais com a competente foto? E se for operada aos joanetes, também vem, com a fotografia dos “ditos”? Festa da truta? Onde é que elas estão? O que se tem feito para o repovoamento do Rio? Quais os restaurante que, habitualmente as servem? Mais uma “cabritada”? Ou servem para pagar renda dos tanques a amigos? Presidência aberta? Par quê? Ouvir as pessoas? Quais pessoas se no programa da visita nem sequer estava prevista a ida a Alvares que é apenas…a SEDE da Freguesia? O que foi feito em Alvares nestes dois anos? Visitou o terreno que comprou nas Cortes com dinheiro de todos nós não se sabe bem para quê? Enduro em Góis para permitir a destruição o Circuito de Manutenção que era usufruído por crianças e idosos acompanhados pelos professores de educação física da Câmara?
Mais um museu, este de excelência, na Biblioteca de Góis? Para quê? Para ficar como a Casa Museu Alice Sande? E este espaço museológico não é aquele monstro que começou há meses, parou, recomeçou e talvez acabe este ano como diz o jornal? De lá, pode ver-se, as obras inacabadas da Casa da Cultura, as obras inacabadas do Quartel dos Bombeiro, do outro lado do Rio, a circular externa inacabada, o campo de futebol que nunca mais acaba, a Av Padre Dinis que foi prometida, o estaleiro da Câmara que já foi na Alagoa, num pavilhão do Parque Industrial, nos mármores do Sanches mas que, como os outros, não existe. Mais à frente, aí sim, pode regalar-se a vista com o turismo rural da ADIBER, o empreendimento sénior do Baião e a sede do Góis moto clube que, em tempos embargou.
Claro que estou a sonhar. Se esfregar os olhos, o que eu vejo é o May Tay fechado, o minimercado fechado, as obras paradas, a Radical à venda, o restaurante do Zé Maria fechado, o Primavera fechado, a Pizzaria a ameaçar que fecha, o Parque de Campismo em risco de não abrir, a explanada da avó Tomásia, já foi, etc. etc. etc.
Mas isto, não aparece nas notícias. Isto não dá projecção.
No entanto, é isto que nós que cá vivemos SENTIMOS.
Pois é Mário, tinhas razão.
O que cá temos é ……..POLÍTICA ESPECTÁCULO!
…ou querem faxer de mim burro?
