Os munícipes de Góis deram a vitória à proposta do Partido Socialista. O projecto liderado por mim, enquanto independente, que contou com o apoio do Partido Social Democrata não ganhou, embora tenha tido uma votação expressiva.
A Democracia funcionou em pleno e triunfou o projecto que melhor convenceu os munícipes. Continuo convicto que tinha o melhor Programa e a melhor Equipa, mas não terei conseguido passar a mensagem.
Não me arrependo de ter sempre falado verdade e não ter feito promessas, mesmo que isso possa ter comprometido a vitória.
O facto de ter vindo .da mesma família politica, tem levado a especulações no sentido de fazer crer que a administração do Município não seria muito diferente qualquer que fosse a lista ganhadora. Nada mais errado. Sou muito crítico relativamente a algumas opções da actual maioria, embora me congratule pela continuação e conclusão de projectos que vêm do anterior mandato e que considero estruturantes, como por exemplo a Casa da Cultura (AERG), o Centro Escolar de Alvares, a ETAR de Vila Nova do Ceira ou o valorização do Campo de Futebol.
Contudo, parece-me que têm sido adiadas ou esquecidas acções importantes que, aliás, faziam parte de ambos os programas eleitorais. Estou a referir-me, por exemplo à revisão do PDM, à reestruturação dos serviços da CM que só agora dá, timidamente, os primeiros passos ou , a instalação do Julgado de Paz, em Góis.
Preocupa-me a resignação ao eminente encerramento do SAP de Góis que espero não arraste algumas extensões concelhias e o aparente alheamento da maioria no que concerne ao Metro de Superfície, parecendo que ele não tem qualquer influência na qualidade de vida dos Goienses.
Preocupa-me a conservação/limpeza de muitas estradas do nosso concelho; é evidente o estado de degradação de algumas vias que, a não serem intervencionadas rapidamente, se tornarão intransitáveis.
Preocupa-me o alheamento do município relativamente à nossa floresta. Temo que, dentro de poucos anos o pinheiro, desapareça pois o ataque do nemátodo é, cada vez mais, evidente. O seu desaparecimento e a profusão de acácias pode mudar a nossa paisagem e a sustentabilidade do nosso mundo rural, pondo em causa a paisagem e os recursos endógenos.
Tenho perfeita noção que os recursos financeiros são escassos, porventura mais escassos que os que ajudei a gerir algum tempo atrás. A crise entrou violentamente nas nossas casas e a CM não é excepção, com cortes violentos no seu financiamento. E nestas épocas que se conhecem os bons gestores. Gerir é optar e quando se opta por festas e eventos, na minha opinião, desnecessariamente caros, algumas intervenções importantes terão que ser preteridas. Preocupa-me a sustentabilidade financeira do Município.
Faria, pois, diferente. Mas foi este o projecto que, Góis abraçou e eu, mesmo crítico, tenho tentado ajudar.
Continuo a fazer aquilo que me comprometi e que sinto ser o que os "meus" eleitores esperam de mim: uma oposição firme, mas construtiva. Que me lembre, apenas em duas ocasiões votei contra as propostas da maioria: no regulamento das taxas e na suspensão da activação da cláusula de reversão respeitante à Quinta do Baião/ADIBER. Em relação ao primeiro ponto, não me limitei a votar contra mas a apresentar propostas no sentido de melhorar os diplomas que considerei conterem aumento de taxas de uma violência extrema.
Os munícipes que, lamentavelmente, não exerceram os seus direitos na fase de discussão pública do documento, sentem agora o efeito da sua aplicação e são imensas as queixas que chegam ao meu conhecimento. Quanto ao segundo aspecto, gostaria de mais uma vez afirmar que nada me move contra qualquer instituição do concelho mas, no caso em apreço, estou totalmente convencido que, para defender os interesses do Município, se deveria accionar a clausula de reversão, conforme decisão unânime do anterior executivo. A haver parcerias com o eventual empreendedor turístico da Quinta do Baião, deveria ser entre este e o Município.
Gostaria também de acrescentar que as relações entre a maioria que governa a CM e nós, oposição, têm sido exemplares na colaboração, na civilidade e, de grande cordialidade. Aliás, nem outra coisa seria de esperar quando as pessoas são civilizadas, a lutar por um objectivo comum e após mais de três décadas de convivência em Democracia.
No entanto, tenho constatado que o ambiente quer nas Freguesias, quer inter e entre instituições do nosso Concelho poderá não ser o melhor. O excesso de rivalidades entre instituições, por vezes da mesma Freguesia que envolvem terceiros, a grande tensão e/ou conflituosidade nalgumas Assembleia de Freguesia, não me parecem bons prenúncios. Temos quê pensar que tão honroso é ser poder, como ser oposição e o respeito terá que ser mútuo.
E preciso repensar o apoio da Autarquia às colectividades. Apoiar não é interferir. Deve ser um catalisador que promova a combustão, mas não deve ser o combustível.
A crise que o nosso País atravessa, implica o esforço, a lealdade e a co-responsabilidade de todos. Deixemos as maiores picardias, as rivalidades por vezes exacerbadas para a época dos actos eleitorais e, fora deles, rememos todos para o mesmo lado. Se os remadores remarem
em sentidos opostos, o barco anda á roda, não sai do mesmo sítio e não há timoneiro que nos valha.
Na impossibilidade de estar com todos, foi bom reflectir convosco. Espero que apreciem estas despretensiosas linhas e que continuem a contar comigo como eu conto convosco. Uns, e os Outros.
Até já
in o Varzeense, 15/10/10