sábado, 15 de dezembro de 2012


A Casa do Concelho de Góis acolhe a Juventude


O Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis em parceria com a Associação de Juventude de Góis, Alvares e Colmeal, organizou o Seminário “A Juventude do Concelho de Góis” que decorreu no dia 8 de Dezembro, no Auditório da Casa do Concelho de Góis em Lisboa.
O Seminário teve como objectivo estabelecer uma ligação entre a juventude e o regionalismo, e como estratégia dar a conhecer a existência de jovens de excelência no Concelho de Góis, cujo trabalho, dedicação e qualidade resultaram em sucesso reconhecido em Góis, em Portugal e na Europa.


Crónica da União Progressiva da Freguesia do Colmeal:  Longe/perto das nossas raízes

A Comissão de Juventude da União Progressiva da Freguesia do Colmeal foi convidada a participar numa recente iniciativa do Conselho Regional da Casa do Concelho de Góis subordinada ao tema Juventude do Concelho de Góis e integrou um dos painéis do debate “O afastamento dos jovens do associativismo”.
Jorge Fonte, apresentou o trabalho que a seguir transcrevemos na íntegra.  

A maioria dos membros desta Comissão de Juventude moram aqui, em Lisboa, ou nos arredores, e, até este ano, apenas um residia no Colmeal. Tiago Domingos, meu primo, é um dos nossos milhares de jovens recém-emigrantes. A nossa Comissão de Juventude não tem hoje ninguém que more no Colmeal mas isso não é impedimento nenhum para a continuação deste nosso projecto que visa a promoção do regionalismo e que pretende que o Colmeal não fique esquecido.

Praticamente todos nós estamos a dar aqui os primeiros passos “oficiais” no regionalismo, apesar de termos pais, mães, tios e avós que pertencem ou já pertenceram à União e que já fizeram muito pela nossa aldeia. Crescemos a ouvir histórias de quando o Colmeal era uma aldeia com muito mais gente, com muito mais ideias mas também com mais necessidades, por causa dos tempos em que se viviam, dificuldades que se faziam sentir e que hoje já não se justificam. Hoje, a União do Colmeal serve outros propósitos, ao que nós, como Comissão de Juventude servimos de apoio. E esta Comissão de Juventude só existe com jovens que moram fora da aldeia porque, hoje, não os há no Colmeal.

Uma das nossas principais ideias iniciais foi dinamizar e criar momentos de convívio para a população com o apoio da União. Não nos focámos apenas no mês de Agosto, ou apenas no Verão, período em que há lá mais gente, mas começámos por organizar a festa de Verão em 2011, e este ano também fomos os responsáveis. Mas também fizemos outras coisas. Com a ajuda da União, organizámos um convívio de tunas académicas, que teve lugar aqui nesta Casa concelhia, e alguns meses depois levámos essas tunas ao Colmeal e a Góis onde tocaram para quem quisesse ouvir. Esta foi uma iniciativa que apenas foi possível graças à Mariana Brás, outro membro do nosso grupo e que actualmente está fora do país.

Todos nós temos as nossas vidas, estudamos e trabalhamos longe do Colmeal, mas também fazemos questão de nos manter a par do que se passa por lá, principalmente numa altura em que há tanto em jogo por causa das políticas de ordenamento que nos afectam a todos mas onde pouco podemos alterar.

Apesar de só lá passarmos fins-de-semana grandes, uma/duas semanas ou um mês inteiro no Verão, penso que falo por todos os membros desta Comissão de Juventude quando digo que ao longo dos anos criámos memórias, umas mais tristes outras mais alegres, que ainda hoje nos acompanham e que vamos guardar para sempre. A esperança é que o mesmo possa acontecer com gerações futuras, que infelizmente têm cada vez menos razões para continuar a morar nestas aldeias.

De resto tentamos estar presentes, quando nos é possível, ao ajudar na logística dos eventos da União, como já tem sido o caso das caminhadas, o almoço de aniversário com os sócios e amigos, nos convívios de canoagem e no piquenique da festa de Verão. Temos pouca obra. Nestes curtos dois anos já podíamos ter feito mais, mas também temos noção que este projecto faz parte de uma maratona e não de uma corrida de 100 metros, e é por isso que digo àqueles que nos conhecem para nos darem tempo.

A nossa Comissão de Juventude não foi a primeira criada, já antes outras existiram, desde os anos 70. Como sabem a Juventude dos anos 70 hoje já não é tão jovem como era antes, mas muitas das pessoas que fizeram parte continuaram ligadas ao regionalismo ao longo dos anos, passaram depois pela União e até há quem esteja na actual direcção. Por tudo isto acreditamos que não seremos a última Comissão de Juventude e apesar de todas as indefinições quanto ao futuro, não só da freguesia do Colmeal, como do rumo a tomar, garantimos que podem continuar a contar connosco pois iremos apoiar e tentaremos estar envolvidos ao máximo no regionalismo, mesmo que estejamos a 250km de distância.


Jorge Fonte

in http://upfc-colmeal-gois.blogspot.pt/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Comunicado de Nuno Santos


Esta manhã no Parlamento dei conta aos deputados dos recentes acontecimentos na RTP que originaram o meu pedido de demissão. 
Expliquei que se tratou de um" “saneamento político travestido de uma decisão de gestão”. Chamei também a atenção para o facto de poder estar configurada uma violação do artigo 34º da Constituição com a utilização abusiva de correspondência privada num inquérito interno "para simples apuramento dos factos". 


Respondendo aos deputados declarei que a minha demissão se devia ao facto "de ter perdido a confiança no Conselho de Administração após ter sido alvo de um julgamento sumário em vez de se proceder à verificação dos factos". 

Finalmente reafirmei que não autorizei em nenhum momento "o visionamento de imagens em bruto".

5.12.12


Consumou-se o saneamento político! 
Acabo de receber do Conselho de Administração da RTP a notícia de que estou suspenso preventivamente a aguardar processo disciplinar para despedimento. Estou pois impedido, sem razão, de trabalhar! 


Durante os dias que antecederam a minha ida à Comissão de Ética da Assembleia da República fui recebendo indicações de que era politicamente imperioso mover-me o processo que agora surge.


O facto de não me ter conformado com o sumário julgamento feito em praça pública pelo Conselho de Administração da RTP, na conclusão do qual resultava claro o sinal de que, se eu ficasse calado, não haveria consequências disciplinares, foi determinante no desfecho que agora se deu.

Na verdade, as declarações que prestei no Parlamento, ao abrigo da liberdade de expressão que pensava ser um direito conquistado em Portugal com a Revolução de Abril, foram o miserável pretexto para este processo. 


Dei já instruções ao meu advogado para analisar a notificação de suspensão tendo sido claro que prepararei, sem desfalecimentos, a defesa da minha honra e do meu bom nome. 

Esta tarde, após a audição na ERC, darei em detalhe a minha posição sobre mais este caso que é mais um capítulo da cortina de fumo que esconde as ramificações empresariais e políticas que se posicionam em campo numa fase em que se joga o futuro do Serviço Público de Rádio e Televisão.
7.12.12 in Facebook de Nuno Santos

domingo, 2 de dezembro de 2012

Góis protesta contra fecho do SAP nocturno

Cerca de uma centena e meia de pessoas de Góis protestaram ontem à tarde contra o encerramento nocturno do Centro de Saúde local, que teve efeito a partir das 18h00.
Ler notícia completa na edição em papel
in Diario de Coimbra 2.12.12

Exposição em Góis mostra “obras inacabadas” do Metro Mondego


Uma exposição de fotografia, retratando “as obras inacabadas do Projeto Metro Mondego nos 30,6 quilómetros intervencionados”, entre Serpins (Lousã) e o Alto de São João (Coimbra), é inaugurada na terça-feira, 27 de novembro, às 15H00, na Biblioteca Municipal de Góis.
A mostra ‘Metro Mondego da realidade à miragem’ é “composta por 19 painéis” que refletem “o mau exemplo de má gestão que os utilizadores deste meio de transporte e os munícipes das localidades intervenientes querem ver resolvido”, salienta uma nota da Câmara de Góis.
O projeto do sistema de metro ligeiro de superfície, iniciado há 15 anos e no qual “já foram investidos 140 milhões de euros”, prevê cerca de 42 quilómetro de linha, servidos por 43 estações, nos municípios de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo e “a sua conclusão é fundamental para toda a região”.
A exposição, que pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 09H00 e as 18H00, estará patente até 14 de dezembro.
In Diario as Beiras 26.11.12

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Entrevista Passos anuncia 'morte' da escola pública

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, admitiu, esta quarta-feira à noite, em entrevista à TVI, que os cortes de 4 mil milhões de euros no Estado social, poderão passar, entre outras medidas, pelo fim da Educação gratuita, adoptando-se, para o efeito, "um sistema de co-pagamentos".
Que o Governo iria proceder a cortes de 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado, já era do domínio público. O que ainda não se sabia é de que forma vai o Executivo levar a cabo esta medida e, sobretudo onde, em que áreas.
Ora, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deu esta quarta-feira a entender, no âmbito da entrevista que concedeu à TVI, que a área da Educação será um dos principais alvos da ‘tesourada’ que o Estado social vai levar. Desta feita, e à semelhança do que sucede no Ensino Superior, toda a educação poderá deixar de ser gratuita.
"Nós temos uma Constituição, como sabe, que trata o esforço do lado da Educação de uma forma diferente da do lado da Saúde. Isso dá-nos aqui alguma margem de liberdade na área da Educação para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre os cidadãos e a parte fiscal directa, que é assegurada pelo Estado”, sublinhou Pedro Passos Coelho.
Se de facto a Constituição não é um entrave para que a Educação passe a ser transversalmente paga, tudo indica que o modelo de propinas possa vir a ser aplicado à escola pública, através da introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que até aqui eram gratuitos.

A Saúde e as pensões serão outras das áreas visadas nos cortes previstos, até porque, fez sobressair o primeiro-ministro, “70% da nossa despesa é com pessoal e prestações sociais”.
O líder do Executivo partilhou ainda que terá solicitado à troika três meses adicionais, isto é até ao Verão de 2013, por forma a negociar as medidas e auscultar propostas alternativas caso sejam apresentadas.
in noticiasaominuto.com 29.11.12

terça-feira, 27 de novembro de 2012

'Só tem uma vida: desfrute!'


Atenção: depois de ler o livro A Arte de Não Amargar a Vida - Pensar Bem para Viver Melhor (Pergaminho) corre o risco de nunca mais ter desculpas para lamentações, dramatizações, «neuras» ou «depressões». O autor, Rafael Santandreu, explica-lhe porquê já a seguir.
Em Portugal, a depressão afecta vinte por cento da população e somos os maiores consumidores de psicofármacos da Europa. Tem alguma explicação para isto?
_A percentagem de deprimidos é semelhante em Espanha e no resto do Ocidente, o que sugere que o problema é, em grande parte, cultural. Explica-se pelo facto de padecermos daquilo a que chamonecessitite, que é confundir os nossos desejos com necessidades imperiosas: achamos que temos de casar, ter filhos, possuir casa própria, ser elegantes, bonitos, ter um bom emprego, uma vida emocionante, muitos amigos, ser extrovertidos, ter estudos, ter uma boa vida social, viajar... e mais dez mil coisas. De contrário, somos uns vermes que não merecem sair de debaixo da terra!
O que prescreveria então para baixar estes números?
_Muita educação em filosofia, psicologia e valores, sejam religiosos ou outros. Qualquer coisa menos a atual educação antivalores da televisão capitalista que acabará por enlouquecer-nos a todos.
Afirma que são os pensamentos negativos e o diálogo interior neles baseado que geram as emoções negativas que causam depressões, ansiedades e tristezas. Quanto mais se pensa pior é?
_Não. Pensar muito não é um problema, mas há que pensar bem. Se tem crenças irracionais que a tornam vulnerável a nível emocional, tem de as alterar. Ao fazê-lo, as emoções acompanhá-la-ão.
Considera que a força emocional e o diálogo interior correto se aprendem na infância. O que os pais podem fazer para que os filhos sejam adultos fortes e mentalmente sãos?
_Têm de lhes transmitir a filosofia das pessoas fortes. É preciso ensinar às crianças que necessitamos de muito pouco para estar bem, que a vida é para desfrutar e que se pode desfrutar esforçando-se. Que o valor das pessoas está na sua capacidade de amar e não nas suas habilidades ou capacidades. E outra coisa muito importante - que não lhes ensinamos atualmente -, o significado do verbo aguentar: «Eu aguento, tu aguentas, ele aguenta...» As crianças de hoje têm uma baixíssima tolerância à frustração.
Mas quando o mal está feito ainda há esperança. No seu livro começa por dizer que é possível mudar. Como?
_A mudança de caráter psicológico produz-se de forma rápida ou não se produz. Na minha consulta, em Barcelona, as terapias não duram mais que quatro ou cinco meses e são uma espécie de lavagem ao cérebro muito enérgica, com imensos trabalhos de casa: uma hora e meia diária, fins de semana incluídos. A mudança assemelha-se ao que acontece a uma pessoa que teve um acidente que a deixou entre a vida e a morte e diz: «Agora encaro a vida de outra forma.» É esse tipo de mudança de filosofia pessoal que se procura operar.
A ideia é que devemos relativizar e não dramatizar as coisas, de forma a que não se tornem um problema e não nos impeçam de desfrutar a vida. Dito assim parece simples. Porque é então tão difícil?
_Porque estamos imersos numa doença cultural chamada terribilitite. As pessoas contagiam-se umas às outras dizendo: «Será terrível se não tiver filhos ou namorado»; ou «será terrível se perder o emprego», etc. E realmente acreditamos que isso é «terrível» e não nos damos conta de que este diálogo interno provoca um medo vital. Deixamos de ser pessoas livres e passamos a ser escravos dos nossos medos. Se não souber como mudar e não fizer um esforço nesse sentido, é provável que acabe neurótico.
Como lhe perguntou uma paciente sua, não será isso um apelo ao conformismo? Se o homem se contentasse com a satisfação das necessidades básicas e não tivesse ambição e imaginação, teria evoluído?
_As pessoas sãs e fortes como Stephen Hawking, o cientista britânico em cadeira de rodas de quem falo no meu livro, têm muitos desejos e projetos. É natural. Mas não os convertem em necessidades imperiosas. Trabalham com alegria para os atingir, mas se não conseguirem não cometem arakiri, desfrutaram do processo e aprenderam com ele. Só podemos desfrutar daquilo de que podemos prescindir.
A «dramatização» é um processo muito enraizado nas culturas mediterrânicas como a portuguesa e a espanhola. Porquê?
_Não creio que seja exclusivo da nossa cultura, apenas nos expressamos mais abertamente do que os ingleses ou os dinamarqueses. A terribilitite é uma doença da opulência e afeta por igual todos os países supostamente desenvolvidos. Nos países pobres como a Índia ou o Ruanda, as pessoas não dramatizam. Têm outros problemas, mas não têm neuroses.
Como não dramatizar, então?
_Para deixar de dramatizar há que fazer uso da renúncia mental. Deve perguntar-se: «Preciso realmente do meu trabalho para ser feliz?» E a resposta deve ser «não». Deve argumentar a favor desta ideia até estar profundamente convencido e, então, poderá trabalhar em liberdade e desfrutar do seu trabalho. O mesmo para o namorado/a, marido/a ou qualquer coisa ou situação que o faça sofrer.
Sim, mas num contexto de crise como aquele em que vivemos, sejamos realistas, como é possível não ter medo de perder o emprego?
_É precisamente o medo de perder o emprego, de perder coisas materiais sem importância, que leva a que as pessoas se mantenham dependentes de um trabalho mal pago e aborrecido, escravizadas por um chefe psicopata. Se perdessem esse medo, existiriam muito mais empreendedores autónomos. Que se lixe o trabalho assalariado! Não morrerá de fome. Calma.
Defende que desfrutarmos do nosso trabalho e podermos fazê-lo ao nosso ritmo é o segredo do sucesso e da produtividade. Quer explicá-la aos patrões portugueses?
_Não. É algo que deve ser a pessoa a saber e ponto final. Os chefes terribilizam muito: é assim a sociedade louca que criámos, onde os loucos triunfam. Não se pode discutir razoavelmente com alguém louco; diga-lhe o que quer ouvir e desfrute do seu trabalho ao seu ritmo. A longo prazo converter-se-á no bem mais valioso da organização porque fará o seu trabalho divinamente e levará calma e alegria à empresa.
Qual o melhor método para ter uma filosofia de vida que nos permita ser mais felizes?
_Arrumar muito bem a cabeça. Tão bem que as crenças irracionais da nossa sociedade não a afetem. Deixar de exigir de si mesma, dos outros e da vida como um louco. E fazer esta mudança de filosofia de uma forma radical. Meias-tintas não valem.
Um dos grandes medos das pessoas é o medo da morte. Apresenta a consciência da morte e a meditação sobre ela como um dos mais importantes passos da terapia. Como?
_Meditando um pouco cada dia sobre o facto de que, dentro de algum tempo, cada um de nós vai estar morto ajuda a relativizar as coisas. Quando está stressado com alguma coisa, lembre-se de que irá morrer mais tarde ou mais cedo e que não vale a pena fazer tanto barulho por nada. Mas pense nisto com profundidade. Só então conseguirá tranquilizar-se.
Os medos são as principais causas de depressão: medo da morte, medo da solidão, medo da opinião dos outros, medo de perder o emprego e por aí fora. Como vencê-los?
_Bom, não é só o medo. A vergonha, por exemplo, também pode conduzir à depressão. Mas sim, é verdade que o medo é o rei das emoções negativas. Tem de ir eliminando todos os seus medos através da renúncia mental, de que já falei, e através da harmonização com a natureza e com o cosmo. Por exemplo, tem de entender que morrer é bom, que a morte é natural e, como tudo o que é natural, é bela. O problema seria não morrer.
Um capítulo fundamental para os leitores é o 13: «Melhorar as relações, incluindo as sentimentais». Como é possível seguir o seu conselho de nunca nos queixarmos, nem lamentarmos, nem exigirmos, simplesmente aceitarmos o outro como é, incondicionalmente?
_Também faço terapia de casal e os cônjuges, quando vêm à consulta, são um saco de acusações e queixas mútuas. Desperdiçam demasiado tempo exigindo coisas um ao outro e acreditando que a sua felicidade depende do outro... Erro crasso! A sua felicidade depende só de si. O outro é só um companheiro e não importa assim tanto o que faz ou deixa de fazer. Além disso, lamentar-se é a melhor forma de destruir uma relação.
Mas temos de aguentar tudo?
_Quase tudo (a violência física, não). Mas a questão é que para conseguirmos algumas mudanças no outro, devemos sugerir (ou seduzir) e não exigir. Se o fizermos sinceramente e com amor obtemos o dobro dos resultados. Com a vantagem de não amargarmos a vida.
Garante que com humor e com amor podemos viver felizes para sempre com aqueles que nos rodeiam?
_«Para sempre» e «com todos os que nos rodeiam» são palavras demasiado absolutas... Mas sim, o amor e o humor ajudam-nos a lidar com as pessoas difíceis e todos o somos às vezes. Quando a pessoa que tem ao seu lado terribiliza, tem de empregar o amor e o humor para arrancá-la desse registo negativo. Não tente falar do assunto, isso só piorará a situação. Diga-lhe coisas carinhosas e tente fazê-la rir.
Considera que a autoestima é sobrevalorizada. Ter uma autoestima forte não é importante?
_O importante é ter uma autoestima «normal», que se baseia em que todos valemos o mesmo: pobres e ricos; espertos e tontos; feios e bonitos... Todos somos iguais porque a única coisa que interessa é a nossa capacidade de amar e isso todos temos em potência. Os livros sobre a autoestima que dizem que «tu podes», que «és bonito», etc., são paranoicos. Estes valores não são importantes, não tem de lutar para se impor. Basta querer ser mais do que é!
Quais os principais obstáculos à terapia?
_Ter uma mente fechada. Eu digo aos meus pacientes que, se saírem das sessões a pensar «este psicólogo está mais louco do que eu» é porque estamos no bom caminho. As minhas ideias têm de chocar com as deles, necessariamente. Ter a humildade de pôr de lado convicções que nos acompanharam toda a vida não é fácil. Por isso, em mais do que uma ocasião tive de dizer a um paciente: «O que prefere - ter razão ou curar-se?»
BI
Rafael Santandreu é psicólogo, com consultório em Barcelona. Autor de Escuela de Felicidad e apologista da psicologia cognitiva, defende que se não exigirmos muito da vida, podemos ter tudo. E ser felizes.
in DN 27.11.12, por Catarina Pires

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO TERRITÓRIO


A comunicação social tem sido fértil nestes dois últimos dias a noticiar a extinção de mais de mil freguesias no país. Ao todo serão 1165 envolvendo alterações em 230 municípios, sendo o de Góis um deles, onde é imposta a agregação da freguesia do Colmeal com a do Cadafaz.

Todo este processo nacional de reorganização administrativa ficou marcado por muitas polémicas e manifestações sendo que a grande parte das novas fronteiras territoriais acabaram por ser desenhadas no Gabinete da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território. Os mapas para todo o território continental estão prontos e já foram enviados para a Assembleia da República, onde os deputados se irão pronunciar.

Admite-se que a contestação não pare por aqui. No caso da freguesia do Colmeal e pelo que temos acompanhado do trabalho desenvolvido pelo seu presidente de Junta contra estas medidas de régua e esquadro, temos a certeza de que as vozes não se calarão. Como poderão estas decisões ser tomadas por técnicos e políticos que não permitem contestação de quem de direito? Naturalmente que os protestos irão continuar. Os Colmealenses não se poderão calar. A interioridade e a idade avançada daqueles que ainda resistem nas nossas aldeias não poderão ser espezinhadas. Haja respeito! Para se poupar menos de 1% com as freguesias há toda esta cegueira.

Confiamos na Associação Nacional de Freguesias e na Associação Nacional de Municípios para continuarem a sua oposição a este processo. Os tribunais terão o seu papel a desempenhar e o Tribunal Constitucional deverá pronunciar-se sobre o pedido de declaração de inconstitucionalidade do regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica apresentado pela Procuradoria-Geral da República a pedido da Associação Nacional de Freguesias.

A. Domingos Santos


UTRAT
  PROPOSTA CONCRETA DE REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO TERRITÓRIO

MUNICÍPIO DE GÓIS
1. Considerando que:
1.1. O Município de Góis tem 5 (cinco) freguesias situadas no seu território, a saber: Alvares, Cadafaz, Colmeal, Góis e Vila Nova do Ceira -cfr. mapa, que constitui o Anexo I ao presente parecer.
1.2. De acordo com o disposto nos artigos 4.°, 5.° e anexos I e II da Lei n.o 22/2012, de 30 de maio, o Município de Góis é qualificado como município de nível 3, no qual não existem lugares urbanos.
1.3. Nenhuma das freguesias situadas no território do Município de Góis tem menos de 150 habitantes.
1.4. Do disposto no art. 6.°, n.o 1, alínea c), da Lei n.o 22/2012, e uma vez que não se aplica o n.o 3 do mesmo artigo, resulta que, no território do Município de Góis, deverá alcançar-se uma redução de 1 (uma) freguesia.

1.5. A Assembleia Municipal de Góis pronunciou-se, inter alia, no sentido de manter a totalidade das freguesias existentes no território do município -cfr. pronúncia da assembleia municipal e pareceres das assembleias de freguesia, que constituem o Anexo II à presente proposta.
1.6. De acordo com o disposto no art. 14.°, n.O 2, da Lei n.o 22/2012, e "com exceção dos casos previstos no n.o 3 do artigo 6. 0, a deliberação da assembleia municipal que não promova a agregação de quaisquer freguesias é equiparada, para efeitos da presente lei, a ausência de pronúncia" .
1.7. Em caso de ausência de pronúncia da assembleia municipal, a Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT) deve"apresentar à Assembleia da República propostas concretas de reorganização administrativa do território das freguesias" -art. 14.°, n.o 1, alíneab), da Lei n.o 22/2012.
2.   Uma vez que (i) a freguesia de Cadafaz tem 190 habitantes e a freguesia de Colmeal 158 habitantes (são as únicas freguesias no território do município com menos de 500 habitantes) e, de acordo com o disposto no art. 8.°, alínea c), da Lei n.o 22/2012, pretende-se que as freguesias tenham escala e dimensão demográfica adequadas, com um mínimo de 500 habitantes nas freguesias de municípios de nível 3, cujo território não esteja situado em lugar urbano; (ii) as freguesias de Cadafaz e de Colme ai são contíguas; (iii)existem ligações rodoviárias entre as sedes das freguesias de Cadafaz e de ColmeaI; a UTRAT propõe, neste contexto, a agregação das freguesias de Cadafaz e de Colmeal, numa freguesia designada por "União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal".

3.   Assim, propõe-se que o novo mapa administrativo das freguesias situadas no território do Município                     
de Góis seja o correspondente ao Anexo II.


Lisboa, 31 de outubro de 2012
(Manuel Carlos Lopes Porto)
(Serafim Pedro Madeira Froufe)
(Luis Filipe Fonseca Verde de Sousa)
(Henrique Jorge Campos Cunha)
(Manuel dos Reis Duarte)
(José Rui Constantino da Silva)
(José Pedro Neto) 

 
(clicar no mapa para ampliar)
in upfc-colmeal-gois.blogspot