quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Comitiva de Oroso visitou Góis

Uma delegação de Oroso, da província da Corunha, na vizinha Espanha, presidida pelo alcaide D. Manuel Miras Franqueira, visitou Góis, na passada sexta-feira. Uma prresença que se integra no âmbito de geminação dos dois municípios.

A comitiva daquela região da Galiza foi recebida pela presidente da autarquia, Lurdes Castanheira, e membros do executivo, bem como pelo presidente da Assembleia Municipal, Pereira de Carvalho, e pelo presidente da freguesia de Góis, Jorge Reis.

Uma visita que, no entender da autarquia de Góis, perspectiva "um plano conjunto de trabalhos, que deverá envolver a OrosoArtes", iniciativa semelhante ao GoisArte, bem como outras iniciativas "que contribuirão para o desenvolvimento conjunto das áreas de maior relevância para ambos os concelhos". Por outro lado, "reaviva-se a geminação entre as duas localidades", que estão empenhadas em reforçar os seus laços estabelecendo parcerias e desenvolvendo intercâmbios em diversos sectores, "com destaque para a cultura, turismo, educação, acção social e economia".

A comitiva fez ainda questão de visitar o ex-presidente da autarquia, Girão Vitorino, que se encontra doente, com objectivo de "agradecer todo o apoio e disponibilidade " no processo de geminação entra as duas localidades, bem como às acções que têm sido desenvolvidas. 

in Diário de Coimbra 28/01/2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

PROGRIDE entregou instrumento musical à Filarmónica de Góis

O Projecto “Progredir em Igualdade e Cidadania” [do Programa PROGRIDE], cuja Entidade Executora é a Santa Casa da Misericórdia de Góis e a Entidade Promotora a Câmara Municipal de Góis, promoveu, no dia 8 de Janeiro do corrente ano, uma Cerimónia de Entrega de um instrumento musical à Banda Filarmónica da Associação Educativa e Recreativa de Góis [AERG].
A Cerimónia de Entrega decorreu no salão da Associação Educativa e Recreativa de Góis e contou com a presença da Dra. Maria de Lurdes Castanheira, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Góis, do Sr. José Serra, Vice – Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Góis, do Sr. Rui Sampaio, enquanto Presidente da Direcção da AERG, do Sr. Paulo Monteiro, Maestro da Banda Filarmónica, bem como com a Equipa Técnica do Projecto e demais individualidades das respectivas Entidades.
O instrumento musical entregue foi um Saxofone alto, da marca Yamaha, que vai certamente enriquecer a panóplia de instrumentos já existentes na Banda Filarmónica da AERG.
Esta aquisição foi possível graças à prorrogação, por mais 12 meses, do Projecto “Progredir em Igualdade e Cidadania” que criou a oportunidade de ampliar não só a sua duração, mas também as acções e o financiamento.
O Presidente da Direcção da AERG manifestou enorme regozijo ao afirmar que, contrariamente ao que acontece com outras Bandas do País, a Banda Filarmónica de Góis tem vindo sempre a usufruir de apoios das Entidades Locais, em particular da Junta de Freguesia de Góis e Câmara Municipal de Góis.
Pretende-se, com a entrega do Saxofone, contribuir para a formação musical, motivar o público infanto-juvenil para a sensibilidade sonora, porquanto as Bandas Filarmónicas continuam a cumprir um papel valiosíssimo ao nível da promoção cultural, sendo consideradas, por muitos, um baluarte da cultura portuguesa.
in RCA

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Novo campo de futebol

Se a Casa da Cultura é uma batalha praticamente ganha, Lurdes Castanheira junta-lhe outra, mais recente mas não menos complexa. Trata-se do novo campo relvado sintético de Góis, cuja candidatura foi finalmente aprovada. "É uma excelente notícia", reconhece a autarca, que no passado 14 teve a informação, da parte da Secretaria de Estado do Desporto, depois de um sem número de diligências, que o novo campo está aprovado.
Trata-se, também, de uma candidatura do anterior executivo camarário, que chegou a provocar a indignação geral de Girão Vitorino, uma vez que viu todas as candidaturas aprovadas e os relvados sintético a "crescerem" em toda a região, à excepção de Góis. Parte dos atrasos justificam-se, uma vez que o município reestruturou a sua candidatura e, para além do relvado sintético avançou com um projecto mais envolvente, que envolve também o campo relvado, a remodelação dos balneários e a construção de uma bancada.
"É um projecto com outra abrangência", sublinha Lurdes Castanheira, que, com entusiasmo, diz que "vamos ter um autêntico estádio em Góis".
O projecto agora aprovado no âmbito do Programa Operacional de Valorização do Território, implica um investimento de 998 mil euros, comparticipado a 70 por cento, sendo o restante garantido pelo município.
Lurdes Castanheira quer aplicar ao "estádio" o mesmo princípio de rigor da Casa da Cultura e, por isso, garantiu-nos que vai, na próxima reunião do executiva, a realizar no dia 26, propor o mesmo tipo de diligência, ou seja, remeter o processo ao Tribunal de Contas.

in MCpG

Góis - Casa da Cultura espera visto do Tribunal de Contas

É uma obra estruturante para o concelho de Góis e ambicionada há muito. Falamos da Casa Municipal da Cultura, cuja construção deverá arrancar em breve, estando unicamente dependente do visto do Tribunal de Contas. Uma diligência que o executivo liderado por Lurdes Castanheira entende necessária, dadas as verbas envolvidas e o esforço financeiro que a obra exige.

Em causa, de acordo com a presidente da Câmara de Góis, está um investimento na casa do milhão e setecentos mil euros (sem equipamento), que tem garantido financiamento do Programa Operacional Regional do Centro. A assinatura do contrato de financiamento foi efectuada no final do ano e representa o desfecho de uma candidatura do município, através da Comunidade Intermunicipal do Pinhal Interior Norte e constitui a «efectivação material de que o projecto vai ser financiado», sublinha a presidente da autarquia.

A Casa Municipal da Cultura «é uma obra estruturante para o concelho de Góis», sublinha Lurdes Castanheira, considerando que vem «colmatar um lacuna com mais de uma década», uma vez que «há mais de uma década que a Associação Educativa e Recreativa de Góis, a nossa banda, a escola de música e o futebol lutavam por instalações que estivessem à altura dos muitos jovens e menos jovens que servem». Lurdes Castanheira recorda que a Associação Educativa e Recreativa de Góis é a principal parceira deste projecto, uma vez que em causa estão as instalações, um velho edifício, onde há décadas funciona aquela colectividade e as diferentes valências que possui. Edifício que, de resto, vai ser demolido, para dar lugar a um novo espaço, concebido para dar resposta às necessidades actuais das colectividades e associações, mas também do concelho, uma vez que vai poder receber os mais diversos espectáculos, congresso ou seminários. Trata-se, sem dúvida, da futura “sala de visitas” de Góis, uma espaço que Lurdes Castanheira considera fundamental. «É uma obra estruturante para o concelho», enfatiza, adiantando que a sua construção, mais do que necessária, «só peca por tardia».

A presidente da Câmara de Góis “herdou” o projecto do anterior executivo e sempre se mostrou «solidária com ele», o que não significa que, e uma vez que passou bastante tempo, Lurdes Castanheira não sinta necessidade de acautelar algumas situações. Assim, e uma vez que o projecto de arquitectura foi aprovado há dois anos, «numa postura pró-activa e preventiva, pedimos um parecer externo a um arquitecto, no sentido de validar tudo o que foi feito e ver se está de acordo com os imperativos legais de uma obra pública», refere, admitindo que possa ter havido alterações às quais importa dar a resposta, evitando quaisquer desajustamentos.

Acompanhamento sistemático
Mas, para além da “actualização” do projecto da Casa Municipal da Cultura, Lurdes Castanheira quer também «que a obra tenha um acompanhamento sistemático», de forma a evitar o mais possível situações de «trabalhos a mais», por exemplo. Aliás, este acompanhamento e fiscalização da obra é um princípio de gestão que Lurdes Castanheira vai imprimir ao seu executivo, em nome do bom andamento da obra, mas também de uma boa aplicação das verbas. Recorda, a propósito, que para além do financiamento do Programa Mais Centro, a obra envolve também verbas da Câmara de Góis, que obrigaram a recorrer à contracção de um empréstimo junto da banca. «Temos uma responsabilidade acrescida na gestão dessas verbas», faz questão de referir.

Aliás, o «rigor» com que a autarca quer pautar o seu trabalho levou-a a avançar com a proposta de remeter o processo ao Tribunal de Contas, «tendo em conta os valores envolvidos». Uma proposta que, diz com visível satisfação, colheu a unanimidade do executivo.

Aliás, a empreitada está adjudicada (pelo executivo anterior) e a obra vai arrancar assim que o Tribunal der “luz verde”. «Penso que não vai haver qualquer problema», diz a autarca, que sublinha o investimento de um milhão e setecentos mil euros, referente apenas à construção da obra que, com equipamento, deverá rondar os dois milhões e meio de euros.

Câmara cumpridora exige cumprimento
A obra tem um prazo de execução de 15 meses e Lurdes Castanheira promete «atenção ao cumprimento dos prazos», uma vez que a «Câmara de Góis sempre foi muito cumpridora nos pagamentos e vai continuar a ser, mas se somos cumpridores para com os nossos prestadores de serviços, também vamos ser exigentes com aqueles com quem contratualizamos», remata.
in Diario de Coimbra 19/01/10

sábado, 16 de janeiro de 2010

“Btt Serra do Açor”

O grupo “Btt Serra do Açor” vai levar a efeito no próximo dia 7 de Março uma prova de Maratona em BTT, num trajecto em linha que decorrerá em caminhos rurais e trilhos na região de Arganil, com a extensão de 40 [meia-maratona] e 80 Kms. As inscrições, no valor de 15 euros por participante, estão abertas até ao próximo dia 1 de Março, sendo que a “Btt Serra do Açor” assegura o apoio de fornecimento de água, fruta e barras energéticas nas zonas de reabastecimento, e ainda, da placa do dorsal, Seguro de Acidentes Pessoais e Almoço de confraternização.Os interessados podem obter mais informações em www.bttserradoacor.com.
in RCA

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Góis entre os nomeados para as 7 Maravilhas Naturais de Portugal

Góis está entre os 323 nomeados a “7 Maravilhas Naturais de Portugal®”. Segundo o Campeão das Provincia, o centro é a região que apresenta mais candidaturas com 69 propostas.
Fraga da Pena (Arganil), Serra do Açor (Arganil), Rio Mondego (Coimbra), Paul de Arzila (Condeixa), Falésias do Cabo Mondego (Figueira da Foz), Montes de Santa Olaia e Ferrestelo (Figueira da Foz), Meandros do Zêzere (Pampilhosa da Serra), Livraria do Mondego (Penacova), Pedra da Ferida (Penela) e Sistema Espeleológico do Dueça (Penela), estão entre as 13 nomeações do destrito de Coimbra.
O concelho de Góis apresenta Penedos de Góis na categoria de Grandes Relevos e o Vale do Ceira na categoria de Zonas Aquàticas Não Marinhas.

As 323 candidaturas foram apresentadas no dia 7 de Janeiro de 2010 em parceria institucional com o Ministério do Ambiente, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), Liga para a Protecção do Ambiente (LPN), Quercus, GEOTA e National Geographic Portugal.

De acordo com Humberto Rosa, Secretário de estado do Ambiente, “O nosso país tem um património natural muito valioso e variado, que é frequentemente esquecido ou desvalorizado. Pô-lo em evidência através das “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” é especialmente oportuno, no contexto do Ano Internacional da Biodiversidade em curso”.

António Vitorino, Comissário para as “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” acrescentou que “Consciencializar os portugueses para a preservação do meio ambiente e do património natural é o nosso grande objectivo. O primeiro passo está dado e acreditamos que a partir daqui o envolvimento das pessoas será ainda maior. Cuidar das belezas naturais do nosso país vai ser uma prioridade de todos em 2010”

Os critérios de base para a escolha serão:
1. Beleza e unicidade do sítio nomeado;
2. Diversidade dos nomeados (segundo as sete categorias);
3. Importância ecológica (per si ou o seu significado para os seres humanos);
4. Significado histórico e cultural;
5. Distribuição geográfica dentro do país;
6. Estado de conservação do local;
7. Não tenham sofrido alterações humanas por razões estéticas.

A próxima fase do projecto consiste na criação de um painel de 77 especialistas, representantes das várias áreas científicas e com representatividade geográfica nacional, que de acordo com os sete critérios chegarão a uma short list de 77 locais naturais pré-finalistas. Posteriormente um painel de 21 personalidades notáveis do nosso país irá escolher as 21 Maravilhas finalistas, as quais serão apresentadas para votação pública a 7 de Março de 2010.

Nesta lista de 21 Maravilhas finalistas terá que estar presente, no mínimo, um finalista de cada uma das sete regiões do país: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira. Desta forma, a New 7 Wonders Portugal assegura a representatividade geográfica do país.

A votação, auditada pela PricewaterhouseCoopers, termina a 7 de Setembro de 2010 e as “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” serão conhecidas no mesmo mês.

Para mais informações visite:
http://www.7maravilhas.sapo.pt/#/pt/home

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Acta da Reunião Ordinária da CM de 9 de Dezembro de 2009

Caros leitores, depois de tanto se mencionar achei pertinente deixar aqui um link para a acta da Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Góis.
http://www.cm-gois.pt/files/1706.pdf

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Presidente da C.M. de Góis eleita para o Conselho Geral da ANMP

A cidade de Viseu acolheu durante os dias 4 e 5 de Dezembro, o XVIII Congresso da ANMP – Associação Nacional de Municípios Portugueses, sob a temática “Investir nas pessoas – Desenvolver Portugal”.
O Município de Góis fez-se representar pela Sra. Dra. Maria de Lurdes Castanheira, Sr. Jaime Garcia e Sr. Jorge Reis, nas qualidades de Presidente da Câmara, representante da Assembleia Municipal e Junta de Freguesia de Góis, respectivamente.

Durante o Congresso foram votados os novos representantes do Conselho Geral da ANMP, que é o seu Órgão deliberativo, com competências para, entre outras, aprovar anualmente o relatório de actividades e contas apresentadas pelo Conselho Directivo; Criar comissões especializadas permanentes ou eventuais, estabelecer a sua composição e fixar a sua competência, sob proposta do Conselho Directivo, da Mesa ou dos membros do Conselho Geral; pronunciar-se sobre quaisquer assuntos relevantes para a consolidação e o desenvolvimento do Poder Local, da descentralização administrativa e da autonomia da administração autárquica, nos termos da Constituição.


O Município de Góis congratula-se com a eleição da Presidente da Câmara Municipal de Góis, Dra. Lurdes Castanheira, como membro efectivo do referido órgão, sendo a primeira vez, em mais de 35 anos de democracia, que um representante da Câmara Municipal de Góis ocupa tão honrosa função, assumindo um reconhecimento não só para Góis como também para a Beira Serra.
in CM Góis, 19/1272009

sábado, 2 de janeiro de 2010

Aldeia recuperada graças à vontade dos habitantes

 Mêstras, um paraíso a descobrir

A viagem da descoberta das casas de pedra e dos sonhos que podem ser os de qualquer um. A vida tem o inimitável poder de juntar, separar e voltar a juntar pessoas e histórias. Na freguesia do Cadafaz, uma aldeia conseguiu (re)nascer para não mais morrer.

Ver. Rever. Passaram mais de 30 anos, tanto tempo. Olha-se para um lado e para o outro, dá para reconhecer. As casas continuam lá, foram-se as pessoas, não as pedras. O verde imenso que atravessa o olhar, as árvores a perder de vista. A natureza num estado quase puro. Durante anos e anos, a vida nascia, crescia e desenvolvia-se por ali, nas Mêstras. Entretanto, o número de pessoas a partir na busca de melhores oportunidades de vida cresceu. Foram-se os filhos da terra, aos poucos. Vieram também as mortes, uma após uma, e a aldeia acabou mesmo por ficar deserta. Sem ninguém, apenas pedras deixadas ao abandono. E imaginar que em tempos mais de 90 habitantes, os Fossa Lameiros, davam vida a uma terra que acabou por morrer. Mas não morreu.
Ver. Rever. Passaram mais de 30 anos, muito tempo, Isabel Antunes ou Reinaldo Simões Alves voltam a pisar a calçada onde tantas vezes caíram quando eram crianças. Voltam as lembranças, a memória. Histórias de um passado que parece voltar, aos poucos, a um lugar onde já foi feliz.
Aldeias perdidas algures numa montanha no centro de Portugal. O tempo também passa pelas pedras e faz estragos. Há oito anos que as Mêstras ganharam um novo impulso, vida. Vieram os homens, veio a mudança. E de repente as casas de grandes blocos de xisto, com janelas e portas em carvalho e castanho foram reabilitadas. Os trilhos continuam os mesmos, as florestas verdes escuras, salpicadas de cogumelos, também. A diferença está na cor, mais nítida, mais perfeita, mais viva. Diferença que se nota por fora e por dentro. A recuperação de muitas casas antigas – um trabalho que está longe de acabar – é uma realidade que a Liga dos Amigos das Mestras não quer ver desaparecer. Jorge Veiga Antunes não é da terra, mas não importa. Tinha a ideia, a vontade, a determinação e assim fez renascer as casas, a capela, o centro de convívio. Ele e todos os membros da liga, sobretudo com apoios do QREN. Oito anos depois a ideia – que “isto não morresse” – superou todas as dificuldades.

Mil euros por uma casa

Reinaldo Simões Alves foi dos tais que um dia partiu. Foi com 25 anos mas regressou com muitos mais. Não tinha ideia de voltar às Mêstras, mas a altura para a despedida final ainda não chegou. Hoje Reinaldo tem 70 anos e é com força que anda para baixo e para cima na terra que o viu crescer. Também Isabel Antunes regressou, ou melhor, vai regressando sempre que pode. Lá atrás, no tempo, está uma partida para Lisboa “aos 12 anos, quando ainda cá estava muita gente”. Ainda mais atrás estão os “caminhos feitos debaixo de chuva e ao frio para uma escola ali perto”. Memórias, histórias com passado, presente e até futuro. A família ficou, as raízes também. Agora, aos 57 anos, Isabel Antunes continua a vir, ela e o marido Jorge Veiga, que não é da terra, mas não importa.
Aldeia abandonada? A aldeia não está deserta 365 dias por ano. De quando em quando vêem-se rostos, ouvem-se risos e brincadeiras de crianças. Pessoas que recuperaram as suas casas e que ainda vão tendo tempo para uma escapadela, um hábito que não querem perder.
Continua a haver casas por recuperar. Habitações de pedras junto ao rio que ainda não secou. Os preços não são elevados. por mil euros, por vezes um pouco mais, pode-se comprar uma habitação em ruínas. Depois, é (re)transformá-la, como quem dá corda a um relógio, mas para trás. Jorge Veiga Antunes, Isabel Antunes e Reinaldo Simões Alves não se arrependem. E de repente tudo volta ao seu normal e o som das águas do rio volta a ser ouvido. A aldeia continua à espera. A idade fica lá na outra cidade. Os olhos continuam postos no (des)conhecido, junto ao rio, junto às casas de pedra. O relógio anuncia o nosso tempo. Paramo-lo. Imagine o verde da floresta que atravessa o olhar. Imagine as pedras que se erguem nas encostas. Consegue? 



Nomes da terra não são esquecidos

MUITOS ATALHOS, caminhos sinuosos, caminhos de pedra escorregadia. À primeira vista, nem vivalma. Contudo, há corações a bater e pulmões a respirar por ali, nas Mêstras. Por momentos até a calçada das ruas ganha vida, uma existência que vai muito para além do momento presente. Na pedra continuam gravados os nomes das pessoas da terra, como por exemplo de Luciano Assunção Antunes, o primeiro soldado do concelho de Góis a morrer no Ultramar, corria o ano de 1962. Toda a localidade tem electricidade e até água. Há três anos que um depósito de água, com capacidade para 30 mil litros, abastece as pessoas e dá uma "ajudinha" em caso de incêndio.

Por Raquel Mesquita
in Diário da Beiras, 2/01/10